11 de abril de 2018
A fundação da Liga das Nações – uma proposta dos Estados Unidos que antecipava a ONU – já apontava para a ideia de um organismo internacional capaz de atuar em nome da defesa do interesse comum pela paz.

Fridtjof Nansen, o “pai do ACNUR”
Nos seus primeiros anos de atuação, a Liga aprofundou questões caras ao Direito Humanitário, como o reconhecimento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), destinada a melhorar as condições de vida da classe trabalhadora numa época em que as leis trabalhistas ainda eram incomuns e a Revolução Russa de 1917 erigia a mais importante ameaça ao capitalismo no século XX.
Em 1920, a Liga passou a ser responsável pelo repatriamento dos prisioneiros de guerra, até então a cargo da Cruz Vermelha. Escolheram o diplomata e naturalista norueguês Fridtjof Nansen para o cargo de “Alto Comissário para a Repatriação de Prisioneiros de Guerra”. O cargo, já importante, trouxe desafios inéditos decorrente das mudanças geopolíticas no mapa europeu provocada pelo desaparecimento dos impérios russo, austro-húngaro e turco-otomano depois da Primeira Guerra e que resultaram em muitas alterações de fronteiras. O novo problema era o que fazer com os prisioneiros de Estados que não mais existiam. Quem se responsabilizaria por aqueles homens que viviam em locais que, de repente, tornaram-se outros Estados e nações?
Nansen passou então a “Alto Comissário para Refugiados” e, ao criar as estruturas burocráticas para o órgão, lançou as raízes do atual ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). Além disso, nesses anos do pós-guerra, os Estados europeus receberam uma imensa quantidade de russos fugindo da revolução bolchevique e, sobretudo, da fome que atingiu a Rússia entre 1921-1922, e para a qual o Alto Comissário também dirigiu as ações da Liga das Nações.
Em 1922, o diplomata norueguês foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho, sobretudo pela criação do Passaporte Nansen destinado aos refugiados indocumentados e graças ao qual milhares de pessoas puderam retornar aos seus lares.
SAIBA MAIS
- Sobre Fridtjof Nansen



